Doença do carrapato: como manter meu cachorro a salvo?

Doença do carrapato: como manter meu cachorro a salvo?

A maioria dos tutores de cães está familiarizada com as infestações de ectoparasitas, nome dado às pulgas e aos carrapatos. O que poucos sabem é que os malefícios trazidos por esses animais vão muito além de coceiras e outros problemas dermatológicos. A doença do carrapato, por exemplo, é uma enfermidade potencialmente fatal para os cachorros.

Esse problema pode ser silencioso e possui um caráter progressivo quando não há uma intervenção rápida. Além disso, seus sintomas são bastante abrangentes e podem estar ligados a uma vasta gama de doenças. Por isso, seu diagnóstico pode ser um pouco complicado.

Quer saber mais sobre essa doença tão perigosa, que põe em risco a vida de milhares de cães? Continue a leitura e tire todas as suas dúvidas sobre a enfermidade, seus sintomas e tratamentos, além de conferir os principais meios de prevenção existentes!

O que é a doença do carrapato?

A temida doença é, na verdade, mais do que apenas uma. Isso mesmo: existem dois tipos comuns de doenças transmitidas pelos carrapatos aos cães (que também podem acometer outros animais, incluindo os seres humanos). Ambas são causadas por bactérias que habitam o organismo do vetor.

Embora bastante semelhantes e normalmente associadas, a babesiose (agente causador: babesia canis) e a erliquiose (agente causador: ehrlichia canis) apresentam particularidades que as diferem uma da outra. Confira a seguir:

Babesiose

A bactéria causadora do problema costuma parasitar as células vermelhas do sangue, desnutrindo-as. Ela pode ser categorizada como subclínica, hiperaguda, aguda e crônica, o que diferenciará os sintomas e os tipos de tratamentos possíveis.

Erliquiose

Ao contrário da babesiose, essa doença é causada por bactérias que parasitam as células brancas do sangue, também conhecidas como leucócitos. Por conta disso, os sinais clínicos apresentados serão diferentes e também divididos em fases (aguda, subclínica e crônica).

Quais são as suas causas?

As doenças podem ser causadas por transfusões sanguíneas ou da mãe para os filhotes durante a gestação, mas esses casos são raros. No entanto, a forma de contágio mais comum é, sem dúvidas, a picada de carrapatos contaminados com a bactéria. Após o contato com o transmissor, o cão pode ser portador assintomático da doença por meses ou até mesmo anos.

Embora diversas espécies de carrapatos possam ser responsáveis pela disseminação da enfermidade, o principal vetor é o Rhipicephalus sanguineus, também chamado de carrapato vermelho do cão. Esse tipo de animal é extremamente comum em meios urbanos e sua proliferação deve ser controlada como principal medida profilática.

Como identificar os principais sintomas da doença?

Como foi dito, as doenças possuem particularidades e fases distintas, que trazem sintomas variados. Além disso, os sinais podem ser facilmente confundidos com aqueles de outras doenças, o que torna um diagnóstico preciso ainda mais importante para um tratamento eficaz. Confira os principais:

Sintomas da erliquiose

1. Fase aguda

É a fase inicial da doença, caracterizada por sintomas como:

  • aumento no volume do baço;

  • anemia;

  • trombocitopenia (deficiência plaquetária);

  • febre;

  • anorexia (perda de apetite);

  • dispneia (respiração curta e ofegante);

  • manchas de cor avermelhada pela pele;

  • dores nos ossos e nas articulações;

  • inflamações oculares;

  • convulsões.

2. Fase subclínica

É, na maioria das vezes, assintomática. No entanto, alguns sintomas que podem ocorrer são:

  • depressão;

  • hemorragias;

  • inchaço nos membros inferiores e superiores;

  • anorexia;

  • mucosas (como as gengivas, por exemplo) pálidas.

3. Fase crônica

Nessa etapa, os sintomas tornam-se bastante semelhantes aos da fase inicial da doença. No entanto, a apatia pode se tornar mais acentuada e o sistema imunológico fica mais debilitado, favorecendo o surgimento de problemas secundários. Além disso, é comum o surgimento de sinais inespecíficos, como:

  • corrimento nasal e ocular;

  • inflamações nos olhos;

  • sangramento nasal;

  • polidpsia (aumento na sede);

  • febre alta;

  • desidratação;

  • tosse;

  • respiração ofegante;

  • dores pelo corpo;

  • vômitos;

  • diarreia.

Sintomas da babesiose

Caracterizada pela destruição dos glóbulos vermelhos, a babesiose possui algumas diferenças quando comparada à erliquiose. Os principais achados físicos dos portadores dessa doença são, de acordo com suas fases:

1. Fase aguda

  • anemia;

  • palidez nas mucosas;

  • deficiência plaquetária;

  • sangramentos;

  • hipotensão (queda na pressão arterial);

  • fraqueza;

  • febre;

  • icterícia (pele, olhos e mucosas amarelados);

  • distensão abdominal.

2. Fase subclínica

Assim como na erliquiose, essa fase é normalmente assintomática. No entanto, sinais podem ser observados, como falta de apetite e emagrecimento progressivo.

3. Fase crônica

A fase crônica conta com sintomas parecidos com o da primeira fase, a aguda. Eles são:

  • taquipneia (respiração acelerada);

  • frequência cardíaca irregular;

  • depressão;

  • falta de apetite;

  • perda de peso;

  • icterícia (pele, olhos e mucosas amarelados);

  • distensão abdominal;

  • febre;

  • inchaço pelo corpo;

  • anemia;

  • petéquias (manchas avermelhadas).

Como é feito o diagnóstico?

Como os sintomas dessas doenças podem ser facilmente indicativos de outras enfermidades, o diagnóstico requer muita atenção e a realização de diversos exames para excluir outras possíveis causas.

O primeiro passo é a avaliação dos sinais clínicos por meio de um bom exame físico e de uma anamnese completa. Em seguida, serão requisitados testes que podem incluir:

  • hemograma completo (contagem de hemácias, leucócitos e plaquetas);

  • exames de função renal e hepática;

  • teste de PCR (reação em cadeia da polimerase);

  • imunofluorescência indireta;

  • exames de imagem (raio x e ultrassonografias).

Nesses achados, serão avaliadas as presenças de hiperbilirrubinemia (alta concentração de bilirrubina no sangue), das enzimas TGP (também ligadas ao funcionamento hepático), deficiência plaquetária e outras anormalidades. O teste de PCR é o método diagnóstico mais eficaz, pois permite a identificação do DNA das bactérias no sangue do animal.

Quais são os tratamentos existentes?

O tratamento de eleição para a doença do carrapato é a administração de antibióticos potentes, que visam destruir as bactérias hospedadas no organismo do cão. Os tipos mais utilizados são a doxiciclina, oxitetraciclina e a tetraciclina, sendo a primeira mais eficaz.

A eleição da doxiciclina se dá ao fato de que a droga é rapidamente absorvida (por ser mais lipossolúvel) e age em diversos órgãos e sistemas, como o coração, os rins e os pulmões. Isso permite uma abrangência ainda maior do fármaco no corpo do animal.

É importante salientar que o remédio deve ser administrado três horas antes ou após a alimentação e que a ingestão de laticínios pode reagir com o produto, interferindo em sua eficácia. A duração do tratamento pode variar entre 21 a 60 dias, dependendo da gravidade do problema e do estágio em que o cão se encontra.

Além do uso de antibióticos, são utilizados outros tratamentos de suporte, que visam a atenuação dos sintomas já instalados, para trazer um conforto e mais qualidade de vida ao animal. Eles podem incluir:

  • fluidoterapia (para a desidratação);

  • anti-inflamatórios;

  • analgésicos;

  • protetores gástricos (como o omeprazol);

  • antieméticos (para diminuir as ânsias e enjoos);

  • transfusões sanguíneas (em caso de anemias graves).

Embora longo, os tratamentos são considerados extremamente eficazes e oferecem um bom prognóstico, principalmente quando o diagnóstico ocorre nos estágios iniciais da doença. A internação pode, em alguns casos, ser recomendada para facilitar a administração dos remédios e a estabilização dos sinais vitais dos pacientes.

É possível prevenir esse problema?

A prevenção da doença só é possível com o controle das infestações de carrapatos, já que não há, até o presente momento, uma vacina que proteja os cães contra essas enfermidades.

Para isso, podem ser utilizados diversos meios, como:

  • controle e retirada manual dos parasitas;

  • coleiras;

  • sprays;

  • pipetas;

  • comprimidos.

É importante lembrar que o uso de acaricidas e de medicações que visam o controle desses animais, além de todos os tratamentos mencionados nesse artigo, devem ser indicado e prescrito por um médico de veterinário, que calculará as doses corretas e direcionará o melhor manejo para cada caso.

Como podemos ver, a doença do carrapato deve ser levada a sério! Por isso, invista em um bom manejo ambiental e mantenha seu cãozinho protegido dessa enfermidade. Além disso, check-ups regulares são recomendados para checar se está tudo certo com a saúde de seu amigão!

 

Gostou do texto? Aproveite e confira 9 dicas imperdíveis para acabar, de uma vez por todas, com as infestações de carrapatos. Até a próxima!

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