Apesar de ser uma das “seis endemias prioritárias no mundo”, segundo o Ministério da Saúde, a leishmaniose é uma doença desconhecida para muita gente e pode acometer cães, gatos e humanos. A leishmaniose em cachorro é bastante impactante no Brasil: 90% dos casos registrados na América Latina ocorreram em território brasileiro.

Com o aumento do número de casos a cada ano, a leishmaniose visceral canina vem sendo discutida com mais recorrência e atenção, de modo a evitar a mortalidade dos cães e conter a transmissão da doença.

Para que você entenda melhor como ela acontece e como proteger o seu cachorro, preparamos este post com 5 dicas certeiras de proteção e prevenção que, sem dúvidas, é o melhor remédio. Acompanhe!

O que é leishmaniose canina?

A leishmaniose é considerada uma zoonose, ou seja, pode acometer os animais e o homem. A transmissão da leishmaniose visceral é causada pelo protozoário Leishmania spp., transmitido por meio da picada do mosquito flebótomo infectado, conhecido popularmente como “mosquito palha” ou “birigui”.

O ciclo dessa doença infectocontagiosa acontece assim: primeiramente, o inseto pica o cão infectado, ingerindo o protozoário causador da doença. No organismo do inseto vetor, o protozoário se transforma em sua forma infectante que, por meio da picada, passa acometer novos animais e humanos, atacando perversamente seu sistema imunológico.

Mas atenção: o cão não é capaz de transmitir a doença diretamente para o homem. Isso é um grande mito. A picada do inseto infectado é o que configura a transmissão da doença para humanos. Portanto, o simples contato físico com um cão infectado — mordidas, lambidas, arranhões etc. — não transmite a doença para o homem.

Quais os sintomas da doença?

Os principais sintomas da leishmaniose em cachorro são os seguintes:

  • pelos quebradiços;
  • descamação seca da pele;
  • nódulos na pele;
  • atrofia muscular;
  • lesões oculares;
  • falta de apetite;
  • febre;
  • vômito;
  • diarreia;
  • úlceras;
  • fraqueza;
  • sangramentos.

O diagnóstico da doença se dá por meio do exame de sangue — que apontará anemia e aumento das enzimas hepáticas do cão — e do exame citológico, realizado a partir de amostras de tecido do animal.

Como é o tratamento da leishmaniose em cachorro?

Até pouco tempo atrás, cães acometidos pela leishmaniose eram comumente indicados à eutanásia. No entanto, essa é uma questão bastante discutida, pois envolve uma série de fatores complexos, como a ciência, a ética e o bem-estar animal.

Do ponto de vista clínico, a leishmaniose em cachorro é uma doença curável e tratável. Contudo, não existe a cura parasitológica, ou seja, o protozoário continua no organismo do animal. O tratamento no cão infectado inclui a vacinação e o uso de repelentes, caracterizando a cura clínica e epidemiológica.

Além disso, os Ministérios da Agricultura e da Saúde já regulamentaram a comercialização de um medicamento específico para tratar a leishmaniose visceral canina. Esse remédio não pode ser utilizado em humanos, assim como medicamentos de uso humano não podem ser utilizados para tratar a doença em cachorros.

Como proteger seu pet da leishmaniose?

Conforme o Ministério da Saúde, essa doença leva ao óbito 90% dos cães não tratados. Porém, hoje já sabemos que a eutanásia é uma medida totalmente ineficaz para o controle e prevenção da leishmaniose canina.

A imunização e, sobretudo, a prevenção são as formas mais éticas e corretas de proteger seu pet dessa doença. Abaixo, você confere 5 maneiras práticas de fazer isso:

1. Vacina

A vacinação impede que o protozoário causador da doença complete seu ciclo, porque cria uma barreira no curso da transmissão e, consequentemente, no desenvolvimento da enfermidade. O ideal é que as vacinas sejam indicadas por médicos veterinários, sempre para cães clinicamente sadios e de sorologia negativa contra a leishmaniose.

A frequência é a seguinte: os filhotes devem ser vacinados a partir dos 4 meses; e a dose deve ser repetida por três vezes durante o primeiro ano de vida do animal, em intervalos de 21 dias. Posteriormente, o cão deverá ser vacinado uma vez por ano pelo resto de sua vida.

2. Inseticida

O controle imunológico da leishmaniose em cachorro por meio da vacina é uma medida eficaz. Porém, o programa vacinal precisa ser associado a outras medidas de controle da doença, de modo a combater o mosquito flebótomo.

Nesse sentido, o uso de inseticidas específicos — que podem ser encontrados em pet shops especializados — é altamente recomendado, sobretudo para áreas tropicais e mais sujeitas às intempéries climáticas que favorecem a proliferação do mosquito transmissor.

A aplicação do produto deve ser feita no entorno da residência e, principalmente, nos canis, com uma regularidade média de seis meses. Além disso, devem ser tomadas outras medidas básicas para conter a aproximação dos mosquitos, como cuidar da limpeza do canil e evitar o acúmulo de fezes ou demais matérias orgânicas.

3. Repelente

Assim como os inseticidas, os repelentes de uso específico também são utilizados para combater a presença do mosquito e seu contato com os cães e o homem. Geralmente, os repelentes mais comuns são aqueles à base de citronela — que têm odor característico —, os dispositivos elétricos antimosquitos e o uso de coleiras antiparasitárias.

Inclusive, as coleiras e demais repelentes colocados sobre o pelo do animal são os mais recomendados pelos veterinários, pois são muito práticos e eficientes. Para as áreas mais endêmicas, recomenda-se também a colocação de telas finas nas janelas das casas e no entorno dos canis como medida preventiva.

4. Passeios seguros

Parece bobagem, mas acredite: os passeios com o cão podem fazer enorme diferença na prevenção da leishmaniose canina. Isso porque existem certas áreas e horários mais propensos à ação dos mosquitos transmissores.

Portanto, é de suma importância ter cuidado ao levar o cão para passear no mato ou demais áreas onde a presença de mosquitos é algo comum. Além disso, evite passeios ao entardecer e no início da noite, que é quando os mosquitos mais picam.

5. Veterinário frequente

Levar o animal ao veterinário com certa frequência também é outra medida muito importante no combate a várias doenças, entre elas a leishmaniose canina. Cães acompanhados por esses profissionais desde filhotes certamente estarão com as vacinas em dia. E os seus donos estarão devidamente orientados quanto às medidas de prevenção dessa doença e de outras enfermidades.

Por isso, tenha sempre o contato de um veterinário de sua confiança, além de eleger um pet shop reconhecido e seguro para comprar os produtos necessários aos cuidados básicos do seu melhor amigo.

Assim, com todas essas medidas, não há dúvidas de que o seu pet estará sempre bem amparado e protegido contra a leishmaniose em cachorro. Aproveite o momento e compartilhe o post nas suas redes sociais para que mais gente aprenda a proteger os bichinhos dessa doença!